Thursday, 23rd November 2017
23 novembro 2017

SALTOS – Altura, Distância e com Varas

Salto em Altura – Masculino – Não está bem definida a origem desta disciplina, porém o mais natural é que a mesma tenha começado a ser praticada nos ginásios alemães, principalmente como disciplina militar.
Johann Gutsmuths, autor do livro “Gymnastik fuer die Jugend” aparecido em 1793, fala-nos de um certo tipo de salto em altura. A verdade é que a partir de 1820 as escolas militares alemães começaram a ensinar uma técnica de apoio das mãos.
E assim chegamos ao primeiro registro, em 07 de setembro de 1854, data em que o inglês John Gilles, saltou 1,675.
Já a IAAF reconhece como seu primeiro recorde a marca de 2.00m, obtida pelo americano George Horine em Palo Alto em 18 de maio de 1912.
Esta prova é provavelmente a que mais teve modificações desde que começou a ser disputada até os nossos dias.
No início o estilo usado para saltar era apenas a tesoura simples, em que o atleta passava sentado sobre a barra, até que no final do século 19, em 1893, o irlandês Michael Sweeney criou uma ligeira variante, o rolo para o interior, o que foi considerado então um grande avanço. Depois, em 1912, o norte-americano George Horine surpreendeu com o seu rolo- lateral, estilo em que consegui 2.00m. A evolução teria de esperar mais um quarto de século, pois foi só em 1936 que o negro norte-americano David Albritton passou a barra a 2.07m com o seu rolo ventral, até que já nos anos 60 surge a última (até agora) inovação, quando o também americano Richard Fosbury revolucionou a disciplina, criando o seu “flop”, que consiste em passar de costas sobre a barra, estilo que lhe valeu o título olímpico de 68 com a marca de 2,24m.
Este estilo é hoje usado por mais de 90% dos saltadores em altura.
No Brasil, o primeiro recorde reconhecido foi do atleta EURICO TEIXEIRA DE FREITAS, vencedor do I Campeonato Brasileiro em 1925, com a marca de 1.75.

Salto com Vara – Masculino – O salto com vara é outra contribuição britânica para os Jogos Atléticos, pois existem registros históricos que provam que a prova era bastante popular entre a nobreza inglesa, a ponto de ter sido praticada pelo rei Henrique VIII. No fim do século XVII, esse evento já estava bem esclarecido como uma disciplina de ginástica na Inglaterra e na Alemanha. Em Penrith (Cúmbria), existem registros de competições que datam de 1843.
As pesadas varas que eram usadas durante o século XIX estavam equipadas com três pregos de ferro na base.
As de bambu, mais leves, foram importadas do Japão para a Europa e América do Norte durante os primeiros anos deste século. Ao invés dos pregos, passou a ser usada uma base de borracha, que era introduzida numa caixa aberta no solo.
A melhor marca conseguida com vara de bambu, e que é talvez a maior proeza atlética de todos os tempos, pertence ao atleta Cornelius Warmerdam norte-americano de origem holandesa, que em 1942 transpôs a inacreditável (para o tipo de vara) altura de 4,77m.
Com o advento das varas de materiais sintéticos (fibra de vidro, carbono, etc.) e, portanto, flexíveis, pode dizer-se que a prova nada tem em comum com a dos tempos das varas rígidas, sendo que as marcas não podem comparar-se.
Um fato curioso passa-se com o atual recorde brasileiro desta prova, em poder do atleta Thomas Valdemar Hintnaus, brasileiro nato de Videira (SC) em 15 de fevereiro de 1958, filho de emigrantes tchecos, recentemente (na época) chegados ao Brasil. O pai, Lobumir, era mestre de esportes do seu país, e a mãe Marianne, uma boa discóbula que chegou a competir em Campeonatos Paulistas. Em 1960, mudaram para os Estados Unidos, estabelecendo-se em San Antonio, Califórnia. E, como era natural numa família de desportistas, começou a praticá-los desde a terá idade, imediatamente se destacando pela sua habilidade e estampa física.
Assim, sagrou-se campeão universitário norte-americano em 1980 com a marca de 5,62m, e conquistando um lugar na equipe olímpica daquele país para os Jogos de Moscou, a disputar no mesmo ano.
Como todos sabem, os EUA lamentavelmente boicotaram aquela Olimpíada e, talvez devido a esse fato, Thomas Hintnaus requereu, em 1981, a sua nacionalidade brasileira, vindo, em 1981, conhecer junto com seus pais, o país que lhe serviu de berço, culminando com a atividade atlética, elevando o recorde brasileiro, que na época era de 4,77m, para 5,30m, marca esta já de excelente expressão internacional.
No Brasil, o primeiro recorde reconhecido foi do atleta JAIME R. B. FREIRE, vencedor do I Campeonato Brasileiro em 1925, com a marca de 3.39.

Salto em Distância – Masculino – Esta prova já era disputada nos Jogos da Antiguidade, tanto que existe um registro de um certo Chionis de Esparta, que em 656 a.C., teria saltado 7,05m. Essa marca só foi igualada em 1884 pelo irlandês John Lane, isto é, 2530 anos depois. Se verdadeira a primeira notícia, deve ser, sem dúvida, o mais longo recorde atlético de que se tem conhecimento.
O salto dos gregos diferia bastante da prova dos nossos dias. Aqueles usavam durante o salto, uma espécie de halteres de pedra nas mãos, acreditando que assim obteriam uma distância maior.
O primeiro atleta a passar a barreira dos 8,00m foi o americano Jessé Owens. Em 1935 registrou 8,13m, marca que permaneceu como recorde do mundo durante 25 anos.
Em 1968, nos Jogos do México, Robert Beamon assombrou o mundo saltando 8,90m, ou seja, mais 55 cm do que alguém já conseguira saltar.
O Brasil também teve atletas de alto gabarito nesta prova. Nos anos 40/50, José Bento de Assis Junior tornou-se recordista sul-americano com um salto de 7,55m. Em 1955, o título passou para outro brasileiro, quando Ari Façanha de Sá elevou essa marca para 7,84m. Em 1979, o grande atleta João Carlos de Oliveira saltou 8,36m, resultado que, na época, se situava entre os cinco melhores do mundo de todos os tempos.
O primeiro recorde brasileiro reconhecido foi do atleta JAIME R. BORDALO FREIRE, vencedor do I Campeonato Brasileiro em 1925, com o tempo de 50.6.

Salto Triplo – Masculino – A história desta disciplina é um tanto obscura, mas sabe-se que os Celtas, nos seus Jogos Tailtianos, já a praticavam no século II da nossa Era.
De qualquer forma, o triplo salto era firmemente disputado na Irlanda e na Escócia, no final do século 19, se bem que nem sempre de acordo com as regras atuais. Assim, em 1871 o irlandês Edward Harding saltou 13,33m em Cork, mas o progresso foi rápido, pois em 1886 outro irlandês, Daniel Shanadan, já saltava 14,50m; isto aconteceu em Knockeney. E, para confirmar a tradição irlandesa, o primeiro recorde da Era IAAF pertence a outro irlandês embora naturalizado norte-americano, Daniel Ahearn, que em 30 de maio de 1911, em Celtic Park, obteve 15,52m.
Esta é a prova olímpica que mais glórias tem dado ao Brasil, pois além dos dois títulos olímpicos e dos cinco recordes mundiais de Adhemar Ferreira da Silva, do recorde mundial, da medalha de Nelson Prudêncio e dos títulos panamericanos do grande João Carlos de Oliveira, tivemos outros grandes atletas, pouco conhecidos das gerações atuais.
Assim, o gaúcho Carlos Eugênio Pinto saltou 15,10m em 1941, o carioca Geraldo de Oliveira 15,41 em 1948, quaisquer destas marcas eram ao tempo de grande nível mundial.
Mas, é sobretudo Helio Coutinho da Silva o principal herói desconhecido, pois em 1951, apenas dois meses depois de Adhemar ter conseguido o primeiro recorde mundial absoluto do Atletismo brasileiro, esse atleta, que era também um excelente sprinter (10.4 nos 100m) obteve no Rio de Janeiro 15,99m, que foi a segunda melhor marca mundial do ano e a terceira melhor de todos os tempos. Lesionando-se seriamente pouco depois, desapareceu prematuramente das pistas, sem conseguir a glória que merecia.
No Brasil, o primeiro recorde reconhecido foi do atleta JOÃO REHDER NETO, vencedor do Campeonato Estadual de São Paulo em 1933, com a marca de 13.15.

Salto em Altura – Feminino – A prova começou a ser praticada por moças no início do século nos colégios americanos para filhas de milionários, assim não admira que o primeiro registro seja de uma aluna do mais famoso desses estabelecimentos de ensino, o Vassar College, onde a aluna Agnes Wood saltou 1,275m em 17 de maio de 1903.
A primeira marca oficial pertence à francesa Elise Constant, que em Caen, em 26 de março de 1921, saltou 1,47m.
No Brasil, o primeiro recorde reconhecido foi da atleta ILSE SUEFFERT, vencedora do I Campeonato Brasileiro em 1940, com a marca de 1.41.

Salto em Distância – Feminino – É idêntico ao do salto em altura e o primeiro registro é de outra jovem americana: Roanne Reed saltou 4,04m em Poughkeepsie, em 9 de novembro de 1895.
O primeiro recorde oficial é da tcheca Marie Mejzlikova com 5,16m, em Praga, em 6 de agosto de 1922.
Foi incluído nos Jogos Olímpicos em 1948, em Londres.
No Brasil, o primeiro recorde reconhecido foi da atleta ELIZABETH CLARA MULER, vencedora do I Campeonato Brasileiro em 1940, com a marca de 4.83.

FONTE: CBAt – Confederação Brasileira de Atletismo

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Professor (aposentado) na Rede Pública de Ensino do Distrito Federal. Especialista em Informática na Educação (UnB), Coordenação Pedagógica (UnB). Tem realizado diversas palestras em instituições pública e particulares com uma variedade de temas: Avaliação das Aprendizagens, Uso das TICs na Escola, Inteligências Múltiplas e o processo de Ensino e Aprendizagem, Atividades Lúdicas em Sala de Aula, Legislação Educacional; Uso do Livro Didático, entre outros.

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