Wednesday, 18th October 2017
18 outubro 2017

O Brasil, para o futuro, é preciso investir agora na educação de seus jovens – Maria Alice Setúbal – UOL Educação

“Eu acho que [meus pais] eles nunca sonharam em ser um psicólogo, ser um professor, e nunca sonhou em ser médico. Eu nunca sonhei. Eles não sonharam e não me ensinaram a sonhar. Eu estou aprendendo a sonhar”. A frase, o jovem Felipe Lima é, sem dúvida, é um dos comentários mais impactante documentário, realizado pelo Instituto Unibanco.

Nossos jovens, em sua maioria, filhos de pais com baixo nível de escolaridade, não só deve, como tem o direito a uma educação de qualidade. É dever do Estado fornecer às escolas, o que desperta o prazer do conhecimento, a extensão do repertório cultural dos alunos, reconhecer os contextos em que eles estão, não permite acesso a melhores oportunidades de trabalho e contribua para o exercício da cidadania.

Porém, como nossos jovens podem escolher o que não sabem? Como colocar uma perspectiva de futuro melhor, se suas famílias, professores e a própria autoridade do estado, não acreditam no seu potencial? Como seguir com as investigações após a gravidez, ou, pelo contrário, a necessidade cada vez mais cedo no mercado de trabalho, para compor a renda familiar? Como participar na luta Thinkstockpor um lugar na universidade, a saber, a grande concorrência e a baixa qualidade da educação pública, o que corresponde a 82% dos estudantes brasileiros?

Estas são algumas das perguntas que nos fazem refletir sobre o tipo de escola, que nós oferecemos para os nossos jovens. Quantas dos mais de 8 milhões de alunos que estudam no ensino Médio, passam pelas salas de aula,  e ao contrário de Felipe, nunca aprendeu a sonhar?

O Brasil perde um de seus jovens. Apenas no ano de 2015, mais de 922 mil alunos foram reprovados no ensino Médio e mais de 545 mil deixaram a escola. Além disso, para garantir o acesso e a aprendizagem de todos e de tudo, é preciso também promover a construção de políticas que levam em conta valores caros para adolescentes e jovens, como o reconhecimento, a valorização do grupo, a autonomia, a liderança, a criação e o desenvolvimento de atividades que lhes permita sentirem-se pertencentes à escola.

Tem de ter a clareza de que a maior parte dos problemas do ensino Médio brasileiro tem sua origem na fase inicial de desenvolvimento, como a Educação Básica, especialmente nos últimos anos do Ensino médio, que já registra uma alta taxa de rejeição e abandono. A educação infantil ainda é para poucos. Não alfabetizamos todas as crianças com menos do que o esperado.

As escolas não têm infraestrutura adequada. Os educadores não têm formação inicial e contínua de qualidade e precisa urgentemente de ser avaliado. Eles são a chave para uma educação de qualidade, e os jovens sabem disso. Eles reconhecem, quando há um bom professor ou diretor.

Só de políticas públicas sólidas podem cancelar âmbito da naturalização da desigualdade no campo da educação, em que a educação e o acesso ao conhecimento vão como um privilégio de poucos. Neste contexto, é preocupante o fato de, não muito o que comemorar no dia do aniversário do PNE (Plano Nacional da Educação), que acaba de completar três anos.

De acordo com levantamento do Observatório do PNE, que reúne várias organizações que atuam na área de Educação, entre eles, o Cenpec, apenas seis dos 30 dispositivos, relacionados com a Educação básica, que deveriam ser concluídas até 2017 foram realizadas.

O não cumprimento de PNE significa que o país vai seguir, improvisar políticas e programas de educação, sem uma visão de Estado e de longo prazo. Para superar esta lógica significa realizar um bom diagnóstico da realidade da educação, a boa gestão e o aumento de recursos investidos, além de avaliar para melhorar continuamente a política.

Para isso, é necessário olhar para os alunos e entender os problemas da vida cotidiana, o que eles olham em seus territórios, como a pobreza, a violência, a discriminação, a falta de acesso a equipamentos públicos de lazer e culturais, entre outros.

Nossos jovens se esforçam para quebrar o ciclo vicioso de pobreza. E isso não é possível sem o acesso a um mundo de conhecimento desde a infância. Querem que a escola era realmente deles. Querem uma vida melhor. Querem aprender a sonhar. E ainda: eles querem realizar um sonho.

Professor (aposentado) na Rede Pública de Ensino do Distrito Federal. Especialista em Informática na Educação (UnB), Coordenação Pedagógica (UnB). Tem realizado diversas palestras em instituições pública e particulares com uma variedade de temas: Avaliação das Aprendizagens, Uso das TICs na Escola, Inteligências Múltiplas e o processo de Ensino e Aprendizagem, Atividades Lúdicas em Sala de Aula, Legislação Educacional; Uso do Livro Didático, entre outros.

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